Por Daniel Alves e Maíra Eduardo
O crescimento significativo da pobreza, as desigualdades sociais, drogas lícitas e ilícitas, transtornos mentais, são alguns dos motivos que levam indivíduos e famílias a utilizarem as ruas como lugar de moradia e sobrevivência, é o que confirma dados da Secretaria Municipal Adjunta de Assistência Social de Belo Horizonte.
A prefeitura não sabe exatamente quantas pessoas vivem nesta situação - dados do último censo realizado em 2006, identificou 1.164 adultos morando nas ruas da cidade. Mesmo sem dados consolidados, a Secretaria Municipal Adjunta de Assistência Social afirma que o número de pessoas morando nas ruas de Belo Horizonte cresceu. A estimativa está baseada no aumento da procura pelos serviços prestados pela prefeitura, como nos restaurantes populares e centros de apoio.
Eles ocupam diversas áreas que vão desde calçadas, marquises até grandes cartões postais, como é o caso da Praça da Estação no centro da cidade. Grande parte deles vem do interior do Estado de Minas Gerais (41,2%), Belo Horizonte aparece em segundo lugar (32,6%) e outros estados brasileiros (21,9%). O envolvimento com drogas e o desemprego são alguns dos principais motivos da atual situação. Além disso, moradores convivem o medo das constantes agressões contra essa população que perambula pelas ruas “de noite é muito perigoso dormir no centro, parece que tem gente que sai de casa só pra fazer maldade” afirma F.D.C, 26 anos morador de rua há três anos. Esse pode ser um dos motivos para descentralização dos moradores para outras regiões.
Eles ocupam diversas áreas que vão desde calçadas, marquises até grandes cartões postais, como é o caso da Praça da Estação no centro da cidade. Grande parte deles vem do interior do Estado de Minas Gerais (41,2%), Belo Horizonte aparece em segundo lugar (32,6%) e outros estados brasileiros (21,9%). O envolvimento com drogas e o desemprego são alguns dos principais motivos da atual situação. Além disso, moradores convivem o medo das constantes agressões contra essa população que perambula pelas ruas “de noite é muito perigoso dormir no centro, parece que tem gente que sai de casa só pra fazer maldade” afirma F.D.C, 26 anos morador de rua há três anos. Esse pode ser um dos motivos para descentralização dos moradores para outras regiões.
PM diz que Prado tem 22 moradores de rua.
No bairro Prado, dados da Academia de Polícia apontam que existem pelo menos 22 pessoas morando nas ruas do bairro, número 22,3% maior que o balanço dos últimos dois anos. Eles fazem das calçadas, sala de estar com direito a fogão improvisado com tijolos e latas que servem de preparo para alimentos e para se esquentar do frio.
Sua maioria é composta por homens de 25 a 36 anos que, em grande parte, são viciados em drogas como o crack e a maconha, além do álcool. Segundo o capitão Cláudio Alves, da Academia de Polícia localizada no bairro Prado, as ocorrências envolvendo moradores de rua são: ameaças, furtos e embriaguez. “Outras ocorrências corriqueiras são dos moradores como vítimas de lesão corporal e vias de fato”, afirma.
Esse tipo de problema é cada vez mais grave na cidade e os métodos adotados, até o momento, parecem não surtir efeito, é o que afirma Guilherme Neves, presidente da SOS Bairros. “Não adianta medidas provisórias, o caso é mais complexo.”
Segundo Guilherme,comerciantes, moradores e pedestres temem o risco de assaltos e agressões. De outro, os desalojados têm medo de perder as poucas coisas que possuem e de serem agredidos. Já são 20 casos de homicídio de moradores de rua em Belo Horizonte, só neste ano, de acordo com o Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua.
Desavenças familiares podem levar pessoas a mendigar.
O assistente social, Jose Adilson Gomes, trabalha há doze anos com moradores de rua em um albergue administrado por uma entidade espíritas em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte. Segundo José, são vários os motivos que levam essas pessoas a morar na rua: as desavenças familiares, o uso de drogas e problemas de saúde. “A ida para a rua é gradativa, ninguém acorda morador de rua ele se transforma aos poucos” afirma.
Silenciosamente uma nova ordem social tem se formado nas ruas e os perfis são diversos: egressos penitenciários, homossexuais, portadores de doenças mentais, usuários de drogas, deficientes físicos e migrantes que, em busca de trabalho, chegam às grandes capitais e não conseguem voltar para casa por falta de condições ou vergonha do fracasso.
José explica que quanto mais tempo se mora na rua, as possibilidades de retorno para casa e uma vida normal se esgotam “com o tempo as pessoas perdem o interesse em voltar para casa e o medo da rejeição da família aumenta”.
Morando há três meses na rua, Antônio Argeu Xavier, passou por vários problemas de saúde, e, diante da má situação financeira, parou de trabalhar e não conseguiu os benefícios necessários para custear os tratamentos e a suas necessidades básicas.
Antonio acha que muitos estão nas ruas por falta de formação e estrutura psicológica e não pretende continuar nesta situação por muito tempo. “Estou morando na rua até resolver alguns problemas de saúde e pretendo prestar vestibular para fisioterapia” comentou ele com otimismo.
O chefe de segurança Ozório Augusto Teixeira da Silva trabalha há dez anos em um Albergue Municipal localizado no bairro Floresta. Além do cuidado com a segurança do local, ele desenvolve atividades voltadas ao atendimento daqueles que procuram um lugar para passar a noite. De acordo com ele, cerca de 400 pessoas, entre moradores de rua e migrantes, recebem acolhimento no albergue.
Os perfis dos homens atendidos são vários, trabalhadores braçais que vem do interior para descarregar cargas de caminhões, migrantes e moradores de rua que são os que mais procuram pelo serviço.
O Albergue atende apenas homens maiores de 18 anos e para que possam utilizar o dormitório, todos passam por um assistente social e somente após recebem a identificação.
Quando os atendidos cometem faltas graves como agressão contra funcionários e outros acolhidos, a pessoa envolvida é encaminhada para um local de tratamento voluntário. Ozório ressalta que mesmo convivendo nas ruas eles não se esquecem da compaixão e amizade pelo próximo. “Eles cuidam um do outro, com carinho como se fosse parente”.
Um problema que começa na família
O professor de sociologia e mestre pela UFMG, Gilvan Araújo, alerta que as medidas adotadas na capital não surtem efeitos positivos por conta da forma que o poder público trata da situação “Cuidar de um morador de rua não é falar com ele que existe um lugar para tomar banho, comer, dormir e voltar para rua no outro dia. Se a pessoa é portadora de doença mental ela precisa de cuidados, se for viciada em alguma droga, ela também precisa de tratamento”. Afirma o sociólogo.
Gilvan explica que o problema das pessoas que moram nas ruas começa dentro do ciclo familiar e se torna público por falta de assistência. “Esse problema é social, inclusive quando a pessoa está dentro da família, primeiro grupo social que vivemos, a diferença é como o governo de cada país trata desse assunto”.
De acordo com ele, a rejeição familiar é o principal obstáculo que impede o retorno do morador para uma vida “normal”. “A maioria não quer voltar para um lugar onde não é desejado e de onde o expulsaram, quando a pessoa vai pra rua, ela constitui outra família, eles vivem os mesmos problemas e se entendem”. Concluiu.
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