Elas não seguiram os conselhos da vovó para casar cedo e viver em uma casa cheia de crianças correndo e brincado. Hoje, elas é que correm. Investem em vários cursos, trabalham e vivem lutando para conquistar o sucesso profissional. O comportamento é comum à mulheres de diferentes classes sociais que, em busca de ascensão no mercado de trabalho, deixam o sonho de ser mãe em segundo plano.Essa tendência é confirmada pelo Tecnologista em Informação Geográfica Estatística do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de Minas Gerais, Marden Campos, “houve um aumento significativo na taxa de fecundidade entre mulheres com 30 a 40 anos de idade. O que explica que elas estão se tornando mães mais tarde. Um
fator que podemos destacar para esse aumento é a escolaridade e a busca pelo sucesso profissional”.
Para a coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (NEPEM) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Marlise Santos, hoje as mulheres não se contentam mais em desempenhar o papel de donas de casa. "As mulheres desmistificaram a classificação de sexo frágil. Além da presidência da República, ocupada por Dilma Roussef, há mulheres ministras, nos Tribunais Superiores e no topo das grandes empresas. Tanto que hoje, segundo o IBGE, já somam 41% da população economicamente ativa do país, chefiando 25% das famílias brasileiras", explicou.
De acordo com pesquisa realizada pelo IBGE em 2010, mulheres com até sete anos de estudo tinham em média três filhos, enquanto que o número das mulheres com oito anos ou mais de estudo era de um filho ou dois.
Segundo o psicólogo Orestes Dinis do Hospital das Clinicas de Belo Horizonte, “as mulheres mais escolarizadas são mães mais tarde e têm menos filhos". De acordo com ele, esse fato ocorre devido às mulheres aumentarem o tempo que se dedicam aos estudos e ao desinteresse pela maternidade na juventude.
Curtição
Mas não é só o sucesso profissional que adia o investimento no sonho de ser mamãe. De acordo com Marlise, as mulheres também querem ter mais tempo para viver romances, viajar, e, curtir a juventude sem as responsabilidades típicas de uma mãe de família.
Este foi o caso da vendedora Eliete Amaral de 48 anos, que se casou aos 35 e optou em aproveitar ao máximo a vida a dois antes de se tornar mãe de primeira viagem aos 40 anos. "Um dos motivos de ter adiado a minha gravidez foi porque eu já casei velha e quis aproveitar o casamento para depois pensar em ter um filho. Outro motivo foi a minha carreira profissional. Eu sabia que se eu engravidasse cedo acabaria atrapalhando o meu trabalho e talvez eu não estaria aonde estou hoje”afirma.
E esse também foi o caso da empregada doméstica, Vilani Ribeiro, 46 anos, optou adiar por 16 anos o sonho de ter o terceiro filho aos 38 anos. “Eu adiei o quanto eu pude porque naquela época eu tinha apenas três meses de estar no emprego, tinha muitas dívidas e não tinha condições financeiras para ter outro filho, a minha profissão teve um peso considerável. Sempre pensei que quanto mais estável eu estivesse no meu emprego, melhores condições eu daria para os meus filhos”, afirmou ela, que hoje têm uma profissão estável, e ganhando 900 reais diz que já teve três aumentos durante esses nove anos que está trabalhando em uma casa de família. “Não é o suficiente, mas conto com a ajuda do meu marido e os meus dois filhos mais velhos, que já trabalham, para arcar com as despesas da casa”.
Idade x Fertilidade
Este foi o caso da vendedora Eliete Amaral de 48 anos, que se casou aos 35 e optou em aproveitar ao máximo a vida a dois antes de se tornar mãe de primeira viagem aos 40 anos. "Um dos motivos de ter adiado a minha gravidez foi porque eu já casei velha e quis aproveitar o casamento para depois pensar em ter um filho. Outro motivo foi a minha carreira profissional. Eu sabia que se eu engravidasse cedo acabaria atrapalhando o meu trabalho e talvez eu não estaria aonde estou hoje”afirma.
E esse também foi o caso da empregada doméstica, Vilani Ribeiro, 46 anos, optou adiar por 16 anos o sonho de ter o terceiro filho aos 38 anos. “Eu adiei o quanto eu pude porque naquela época eu tinha apenas três meses de estar no emprego, tinha muitas dívidas e não tinha condições financeiras para ter outro filho, a minha profissão teve um peso considerável. Sempre pensei que quanto mais estável eu estivesse no meu emprego, melhores condições eu daria para os meus filhos”, afirmou ela, que hoje têm uma profissão estável, e ganhando 900 reais diz que já teve três aumentos durante esses nove anos que está trabalhando em uma casa de família. “Não é o suficiente, mas conto com a ajuda do meu marido e os meus dois filhos mais velhos, que já trabalham, para arcar com as despesas da casa”.
Idade x Fertilidade
Ter filhos depois dos 35 anos, pode colocar mãe e bebê em risco. O alerta é do obstetra Selmo Geber. Ele explica que após os 40 anos, a gravidez é sempre considerada de risco, pois nessa faixa etária a incidência de abortos é muito maior do que nas gravidezes ocorridas entre os 20 e os 30 anos, considerada a melhor faixa etária para se ter o primeiro filho.
Isso acontece, conforme explica o especialista, porque os óvulos femininos envelhecem na mesma medida em que as mulheres, minimizando a possibilidade de essas células serem fertilizadas por espermatozóides. "Além disso, as chances do bebê nascer com alguma alteração cromossômica, como a Síndrome de Down, aumentam significativamente, pois a fertilização desses óvulos está associada a um risco maior de alterações genéticas", enfatizou.
Eliete Amaral viveu as complicações e dificuldades enfrentadas por mulheres que optam por adiar a gravidez. “Fiquei durante muito tempo tentando engravidar e durante esse período sofri vários abortos espontâneos. A cada aborto minhas esperanças de engravidar eram cada vez menores. Sofri muito e cheguei a abortar com três meses de gestação”.
Não é uma regra dizer que todas as mulheres que tiverem filhos tardiamente enfrentarão os mesmos problemas. Do outro lado da moeda está Vilani que não sofreu nenhuma complicação antes, durante e após a gravidez.
Arrependimento? Eliete garante que ter adiado o sonho de ser mãe foi ruim. “Sou uma mãe velha! Quando eu estiver com 50 anos o meu filho terá 10 e eu sinto que não terei muito tempo para aproveitar com ele do que se eu tivesse sido mãe mais jovem”, lamenta a vendedora. Enquanto Vilani aprova ter esperado o momento certo: “eu com certeza adiaria a minha gravidez novamente porque sem sombra de dúvidas eu estava mais madura”.
Adiar ou não a gravidez? Eis a questão. Apesar dos riscos, se é correto ou não retardar a primeira gestação é uma decisão difícil de ser tomada.
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